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[Música]
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o derd ele é um dos filósofos que
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tiveram muito reconhecimento já do do
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alcance do pensamento filosófico porque
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na verdade pelo tipo de reflexão que ele
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tem
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muitas áreas podem ser beneficiadas por
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ele né a arquitetura a pintura escreveu
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sobre pintura o teatro ah a literatura a
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filosofia a gramática né o cinema para
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você pensar democracia hoje por exemplo
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se você pensar que todo que muitas
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pessoas dizem não mas o pensamento do
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derd não tinha declarações diretamente
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ligadas à análise da da da da sociedade
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não não tinha uma intervenção política
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direta militante ele tinha uma forma de
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militância que era do verdadeiro
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intelectual né que o que o intelectual
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que ele pode eh ser aquele que
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interpreta que compreende a complexidade
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mas ele não pode dar aulas para para
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ação né porque justamente o o
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intelectual ele não dá o consentimento
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fácil para as coisas então acho que ele
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é muito importante para o mundo
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contemporâneo tanto para pensar política
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quanto para pensar a universidade ele
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tem muitos escritos sobre a universidade
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né a para para pensar a questão da
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cultura questão da história questão das
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Artes né Ele é um mundo a ser
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interrogado e sobretudo porque em todas
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essas áreas existe uma vocação
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antidogmática no pensamento dele que
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justamente se traduz na na na
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desconstrução quer dizer cada coisa ela
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com ela é portadora de múltiplas
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significações né A desconstrução então
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segundo derd seria o trabalho de dentro
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das unidades de sentido de dentro dos
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textos encontrar o princípio que os
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forma e que ao mesmo tempo segundo ele
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segundo o modo dele dizer é não são só
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unidades que fazem não são só princípios
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que fazem essas unidades surgirem mas
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são também o princípio Dau dessas
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unidades ru no sentido de que se eu
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identifico o princípio que formou essas
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unidades de sentido eu também sou capaz
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de encontrar o ponto a partir do qual eu
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posso desconstruir essas mesmas unidades
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eu chamaria atenção pro fato que ela não
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é uma destruição ela é uma espécie de
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trabalho de desmontagem mas ao mesmo
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tempo que permite uma remontagem então
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por exemplo você tem a diferença entre o
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o alos Né o mesmo né e o próprio por
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exemplo Então você tem a ideia do
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héteros é o outro de uma uma relação de
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exterioridade com alguma coisa e o alos
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é o outro do mesmo então a volta a uma
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etimologia às vezes equívoca ela ajuda
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essa maneira não é desconstrução no
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sentido de de desfazer ou de destruir ou
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ser niano no sentido da filosofia golpes
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de martelo Não é uma é uma ideia não de
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destruir não tem ideia da destruição mas
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você tem a ideia da recuperação da
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memória das coisas e as camadas
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heterogêneas que cada conceito carrega
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consigo a questão das Fronteiras entre
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filosofia e
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literatura no pensamento do derd é
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Central
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eh não é uma questão
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acessória justamente se a gente pensa
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sobre a
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desconstrução e o modo como o derd
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insiste né que todas as produções de
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sentido todas as relações simbólicas
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constituem um texto e no fundo tudo é o
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grande texto do mundo né se nós temos
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isso em vista nós Já percebemos que uma
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fronteira Clara entre filosofia e
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literatura hum não é uma ideia muito
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viável do ponto de vista de que tudo
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constitui um texto né então o derd não
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só relativiza como até anula certas
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certa ideia de fronteira entre a
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filosofia e a literatura quer dizer na
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verdade essa separação entre filosofia e
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literatura ela vem no momento da
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especialização
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eh das áreas de conhecimento a gente
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pode datar Talvez um pouco abusivamente
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esse começo da separação entre filosofia
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e literatura no pensamento do Platão
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porque Platão faz a crítica da mimeses
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né e a arte é imitação a arte é uma
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ficção e na Perspectiva do Platão toda a
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imitação e a arte a literatura fazendo
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parte disso ou o teatro né dramaturgia
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ela é uma uma estratégia para ele de
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poder e que tipo de poder é um poder tão
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vertiginoso que ele é capaz de
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influenciar pensamentos e mobilizar
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comportamentos um ponto dessa reflexão
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que
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incomoda o derd e Que dá bastante a
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pensar a ele é o fato de que quando o
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filósofo começa a fazer um discurso
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sobre a metáfora ele eh dá a impressão
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de primeiro definir a metáfora de fora
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né para poder
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então dizer que ele encontra a metáfora
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nos concentrando nesse ponto a gente
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poderia perguntar o que é que
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justificaria que o filósofo dizendo que
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está de fora consegue entender o que é a
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metáfora por dentro então Eh essa
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separação eh ela acontece
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artificialmente porque a filosofia
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sempre viveu da literatura e a
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literatura da filosofia apenas que como
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gêneros literários a filosofia ficou
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mais
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técnica com relação à literatura mas
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muito daquilo que a literatura fala por
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imagens a filosofia fala por conceitos
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então o derd não poderia ser chamado de
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um pós-moderno é que o o derd não cai em
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certos dualismos que muitos pós-modernos
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dizem evitar mas que no fundo eles
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reproduzem a razão ou o trabalho do
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pensamento de um lado e a ação das
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paixões ou então o âmbito do
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incondicionado humano né o âmbito das
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forças cósmicas que agem Antes de nós
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agirmos ou de nós podermos ter
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consciência disso né Isso é um dualismo
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que o derd não admite
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eh ou admite mas dizendo isso é o que
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tradicionalmente se chama de metáfora e
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o derd ele como é um grande conhecedor
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da literatura e ele é um grande
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conhecedor da história da filosofia e
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filósofo ele consegue combinar no
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próprio os vários estilos filosóficos
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que ele dos quais ele se vale para
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construir a sua obra desde o ensaio
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filosófico ao livro ao compêndio técnico
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passando pelas pela carta postal ou
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então pelo monolinguismo do outro eh ou
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então pelo animal que logo sou quer
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dizer são ensaios ou fichu né que é uma
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conferência que o derd da é convidado
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para para receber o prêmio Adorno mas
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esse essa conferência ela é uma forma de
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uma de um grande aforismo né como se ele
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fosse uma vamos dizer uma uma
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exemplaridade uma análise exemplar e é
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algo que ele quer expressar como algo
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exemplar então a ali ele acaba
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realizando ao analisar o sonho do Walter
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Benjamim que sonha em francês ele vai
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interpretar um sonho que ele não sonhou
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mas que é um sonho do outro então ao
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mesmo tempo que é um ensaio sobre um
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sonho é uma espécie de para além eh do
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além do do da Interpretação dos Sonhos
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do Freud é uma nova interpretação dos
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sonhos porque ele começa justamente
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interrogando se é é
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lícito interpretaç que não foi seu que
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foi um sonho de um outro então você já
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não pode interpretar o seu próprio sonho
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porque em princípio é analista que
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interpreta o seu sonho junto com você e
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aí ele não tem ninguém para interpretar
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junto com ele e não é nenhum sonho que
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ele sonhou é o sonho de um outro então
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você já tem várias camadas e mostrando
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como você como a a escrita se adapta a
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essa fórmula de de pensar no lugar de um
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outro e sonhar um sonho que não é seu
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isso exige um estilo e o estilo que ele
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usa é o tendo que inventar palavras para
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dizer esse momento em que você não tá
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nem acordado Nem Dormindo e que você
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portanto sonambula quer dizer ele
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inverta inventa o verbo
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sonambula sobre a questão da voz média
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da língua grega que a gente não tem no
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português por exemplo que é um não é nem
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passivo nem ativo É passivo e ativo ao
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mesmo tempo então esses estados
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limítrofes de Limiar interessam ao ao
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derd porque são momentos em que os os
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sentidos eles quase que estão em estado
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de dicionário e dentro do sonho você
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pode fazer análises muito objetivas não
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é que às vezes você pode esquecer ao
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acordar ou esse sonho pode te acompanhar
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e o que ele quer dizer que você nunca
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tem um estado de vigília que é puramente
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racional quer dizer são vários para
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cada tema filosófico ou literário ele
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cria um gênero que se adapta a essa
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formulação então ele é um grande
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escritor também com isso derd oferece um
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campo de reflexão muito rico porque ele
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justamente levantando o problema o tema
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do sentido né e eh defendendo a ideia de
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que é possível desconstruir o sentido
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por dentro sem tomar já uma atitude de
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recusa dos v das várias Produções várias
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maneiras de produzir sentido né ele faz
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ail fia um exercício muito interessante
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muito criativo né que no fundo no fundo
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que ele convida o filósofo é a rir de si
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mesmo né o
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filósofo bom no sentido derdian é o
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filósofo que aceita rir de si próprio
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porque ele aceita que Como dizia o derd
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em tudo aquilo que ele propõe como
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análise do sentido ou mesmo como sentido
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já está contido o princípio que
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permitiria ver as ruínas da sua própria
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elaboração né então são obras que eu
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recomendaria o monolinguismo do outro o
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animal que logo sou e o fichu
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para uma iniciação né agora pra história
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da filosofia mais possível mais
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conhecido vamos dizer e por tratar de
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autores também mais comentados pode ser
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o derd né a farmácia de Platão
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o a gramatologia
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e as políticas da Amizade o espectros do
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Marx também que é sobre a questão da
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história e ficção
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