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[Música]
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Olá bom dia boa tarde boa noite aos meus
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e minhas concurseiras de plantão ávidos
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aí por uma vaga no Tribunal de Justiça
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de São Paulo eu sou Viviane de Paula
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assistente social do Tribunal de Justiça
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de São Paulo docente e coordenadora do
00:00:31
curso de serviço social do Centro
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Universitário Assunção mestre e Doutora
00:00:36
pela PC e no meu doutorado
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Eu me dediquei né A minha pesquisa
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versou sobre a violência contra criança
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e o Adolescente em especial na
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particularidade do abuso sexual
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intrafamiliar eh por isso a nossa aula
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de hoje eh é uma aula que traz o texto
00:01:00
eh de uma uma não
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duas duas referências pra gente pensar
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os estudos sobre violência contra a
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criança e o
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adolescente numa perspectiva crítica
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eh superando aí uma perspectiva médica e
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patológica que imperava Principalmente
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nos estudos estadunidenses junto delas
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também eu destaco o Vicente de Paula
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Faleiros que tem uma outra aula aqui que
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eu já gravei e que eu espero que ajude
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vocês nos estudos então falar de Maria
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Amélia Azevedo e de
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Viviane Nogueira de Azevedo guerra é
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falar de estudos
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e
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de fortalecimento né produção de
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conhecimento que fortalece eh o
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movimento pela luta dos Direitos da
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Criança e dool cente eu entendo que
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para quem vai trabalhar com essa com
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essa temática são estudos
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fundamentais no entanto são estudos
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datados e por isso carecem de alguma
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atualização como se trata do meu objeto
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de pesquisa então hoje eu vou apresentar
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para vocês
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eh o compilado do que eu acredito que
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seja fundamental para o estudo de vocês
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no que se refere a
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ao livro infância e violência doméstica
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fronteiras do conhecimento que reúne aí
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uma série de artigos eh O livro é
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dividido em quatro partes e reúne uma
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série de artigos de profissionais de
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diversas áreas Esse é um ponto que eu
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acho extremamente importante colocar
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eh quando a gente fala da complexidade
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da violência contra criança e o
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Adolescente em suas múltiplas
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manifestações a gente precisa partir do
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pressuposto
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que uma única disciplina não dá conta da
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complexidade desse fenômeno por isso a a
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a
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interdisciplinaridade o trabalho
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multidisciplinar é extremamente
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necessário Então nesse livro A gente vai
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encontrar artigos de profissionais de
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várias áreas eu espero poder auxiliar
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vocês nesses estudos e nesse caminho e
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agora sem mais delongas vou apresentar a
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estrutura do livro
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o o livro ele faz parte né de uma série
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de de estudos que foram realizados no
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lacre o lacre era o laboratório de
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estudos da criança da USP ficava ali no
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departamento de Psicologia de
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aprendizagem eh do desenvolvimento e da
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personalidade do Instituto de psicologia
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da USP
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eh a Maria Amélia Azevedo ela é advogada
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e pedagoga a viv é assistente social e
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como eu disse anteriormente elas são
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precursoras da discussão sobre a
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violência contra a criança e o
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adolescente no Brasil numa perspectiva
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crítica ou seja para além eh de aspectos
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que envolviam eh a a uma perspectiva
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reduzida a perspectiva médica e
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patológica eh como a gente observava nos
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estudos estadunidenses que são os
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primeiros estudos né então aqui a gente
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vai ter um livro dividido em quatro
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partes
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eh com contribuições muito importantes
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então na primeira parte a gente vai ter
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uma discussão sobre as teorias críticas
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né E aí pensar um pouco a família e a
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violência contra a crianç e adolescentes
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nessa perspectiva a gente vai ter textos
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do José Leon cochic que é psicólogo da
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Cristina bruini que é socióloga e do Zé
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Paulo Neto que dispensa
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apresentações na segunda parte eh a
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gente vai versar sobre o abuso sexual
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ritualístico né então a gente tem os
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textos da Maria Amélia
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Azevedo do Carlos Roberto Figueiredo
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Nogueira que é um Historiador do luí
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motte que é um antropólogo e da Maria do
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Rosário que era uma pesquisadora de
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folclore né ela já
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faleceu a gente também vai ter um texto
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do Paulo Antônio Paulo desculpa Paulo
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Afonso Garrido de Paula que é um
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advogado e do Osvaldo Frota pessoa que é
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médico né
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Eh depois na parte três elas vão
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discutir os textos vão discutir abuso
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físico e incesto E aí a gente vai ter o
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Antônio martinz que é pediatra e vai
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trazer um Panorama da Espanha
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eh a gente vai ter a a Maria Amélia
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Azevedo a Viviane guerra que escreveram
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um texto em companhia da Nancy
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vacunas que é uma psicóloga e por fim um
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texto que fecha esse capítulo é o do
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Cláudio Cohen o Claudio Cohen é uma
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referência eh em estudos da psiquiatria
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e da Psicologia eh sobre o incesto né E
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sobre o abuso sexual intrafamiliar ele
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muito tempo com a Gisele gobet aqui em
00:06:32
São Paulo na faculdade de medicina da
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USP o searas que era o centro de estudos
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relativos ao abuso sexual inclusive com
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atendimento A famílias em sua totalidade
00:06:44
que tinham processos eh na
00:06:48
justiça depois a gente vai ter uma uma
00:06:51
quarta parte que vai tratar de políticas
00:06:53
sociais e violência doméstica contra
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criança e o adolescente que foi escrito
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pela Maria mel e pela Viviane guer
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e no final a gente vai ter um texto de
00:07:03
um poeta e escritor que é o o o Richard
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Hoffman é um texto muito muito
00:07:12
importante
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impactante e eu recomendo a a leitura
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Aliás já falando disso é importante
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frisar que
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eh esta aula ela não substitui a leitura
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do livro tá eh então a minha sugestão é
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como o livro tá dividido em capítulos é
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que no plano de estudo de vocês esteja
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ali a a o estudo de pelo menos um
00:07:38
capítulo eh por semana dois dois artigos
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por semana né Eh eu vou trazer algumas
00:07:46
atualizações para vocês que eu acho bem
00:07:49
importante tá para aí acompanhar o o
00:07:53
para que vocês coloquem no plano de
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estudos de vocês no que se refere à
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atualização do texto que é um texto
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datado
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algumas eu já fiz na na aula do Vicente
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de Paula Faleiros mas eu retomo aqui tá
00:08:06
então a gente começa eh o livro com os
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autores discutindo as teorias críticas
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né E como essas teorias críticas podem
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auxiliar na nos estudos eh sobre família
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e sobre a violência contra crianças e
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adolescentes então assim que concepção
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de família a gente tem nãoé O que que
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significa ter uma visão crítica em
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relação à família e qual a relação disso
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com a violência contra crianças e
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adolescentes o que a gente sabe é que a
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família é um Locus privilegiado de
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desenvolvimento de crianças e
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adolescentes mas também os relatórios
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dão conta que é a família um Locus
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privilegiado de perpetração de violência
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contra crianças e adolescentes né então
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a maioria das violências acontecem em
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casa e aí isso é muito importante para
00:09:04
que a gente consiga fazer
00:09:06
aproximações e então eh ter uma
00:09:10
perspectiva um pouco mais próxima à
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realidade social concreta com as suas
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múltiplas determinações
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eh e aí ter uma dimensão da complexidade
00:09:23
desse fenômeno tá
00:09:26
eh então a gente inicia com texto teoria
00:09:30
crítica e
00:09:32
ideologia que é do José Leão cique né E
00:09:36
aí ele vai falar especificamente da da
00:09:40
escola de Frankfurt Então isso é bem
00:09:42
importante também a gente dividir
00:09:44
algumas pessoas entendem teoria crítica
00:09:47
como a marxista marxiana não a a teoria
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as teorias críticas são diversas entre
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elas por exemplo a teoria crítica que
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envolve ali os representantes da escola
00:10:02
de Frankfurt que foi fundada em
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1923 né
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Eh com ela tinha o nome na época de
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Instituto para pesquisa social quem
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fazia parte dessa escola ali né Vamos
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pensar assim os as principais
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referências o Teodora dorno o o Marx
00:10:24
hockenheimer o Herbert marcuzzi e o
00:10:27
Walter Benjamim meu queridinho bom
00:10:31
eh qual que é o legado né dessa dessa
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escola eles
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vão localizar a a origem do irracional
00:10:43
né E aí a gente precisa pensar
00:10:46
eh que a gente essa escola de Frankfurt
00:10:51
vai tecer as tuas teorias principalmente
00:10:54
eh
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no no entre guerras e no pós-guerra né
00:11:01
então eles vão localizar a origem do que
00:11:04
eles chamam de
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irracional
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representando por representado por todas
00:11:10
as formas de
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totalitarismo tá então a gente pode
00:11:14
pensar ali eh nos escritos tomando por
00:11:17
base os regimes totalitários
00:11:20
eh E essas formas de
00:11:23
de totalitarismo desculpem no exercício
00:11:26
de um determinado modo de racionalidade
00:11:29
né ou seja o totalitarismo ele tem eh
00:11:34
ele é
00:11:35
revestido de uma
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racionalidade Mas é uma racionalidade
00:11:41
instrumental E aí Vale lembrar os textos
00:11:45
da Yolanda guerra a Yolanda guerra ela
00:11:47
faz uma distinção entre razão
00:11:50
instrumental e instrumentalidade né Tem
00:11:53
um artigo dela que vai trazer isso muito
00:11:55
bem
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eh ou seja trata-se do exercício da
00:12:00
racionalidade científica que é muito
00:12:03
típica do positivismo né que Visa a
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dominação da natureza para fins
00:12:10
lucrativos E aí coloca a ciência e a
00:12:14
técnica a serviço do capital e E é isso
00:12:18
que os teóricos da escola de Frankfurt
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vão criticar essa razão instrumental eh
00:12:24
Quais são as fontes eh nas quais ele das
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quais Eles bebem né nietz Freud
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heidegger e Marx tá eh e aí eu trouxe
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alguns trechos aqui que acho que são bem
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importantes pra gente pensar primeiro
00:12:42
pensar a questão da ideologia para
00:12:44
Adorno e o abmas teve ali uma boa
00:12:49
contribuição nessas discussões né onde
00:12:52
ele vai dizer exatamente o seguinte ela
00:12:55
é elemento da totalidade produzida tanto
00:12:58
por condições objetivas quanto
00:13:00
subjetivas os indivíduos não seriam tão
00:13:03
suscetíveis à propaganda se esta não se
00:13:06
referisse a algo que eles desejam a
00:13:09
ideologia fruto de condições objetivas
00:13:12
se assenta em motivos subjetivos então
00:13:15
ele vai fazer a discussão da ideologia
00:13:19
eh trazendo a perspectiva objetiva mas
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também a subjetiva eh e como essa
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ideologia como a propaganda é um dos
00:13:30
instrumentos dessa ideologia uma
00:13:32
ideologia pro consumo uma ideologia
00:13:35
voltada paraa sociabilidade do Capital
00:13:38
né E aí ele continua no mundo das
00:13:41
mercadorias o objeto de produção por
00:13:44
Excelência da propaganda é o consumidor
00:13:47
né ela produz um determinado tipo de
00:13:51
consumidor a própria realidade se torna
00:13:54
produto a ser consumido E aí quando ele
00:13:57
traz essa questão da própria realidade
00:13:59
como um produto a ser consumido eh a
00:14:02
gente o que me veio assim à mente foi o
00:14:06
o quanto a realidade vem sendo produzida
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né o falseamento da realidade
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eh que tá ligado ali à ideologia quando
00:14:15
a gente pensa por exemplo nas fake News
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quando a gente pensa no Instagram no ex
00:14:21
antigo Twitter Facebook
00:14:24
eh como isso é utilizado na política eh
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recentemente a gente viu aqui a posse do
00:14:31
trump e o que a gente tinha lá são
00:14:34
representantes ali do do do do mundo da
00:14:37
tecnologia da informação da comunicação
00:14:41
na posse isso diz muito né então Eh como
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boa marxista eu entendo que se a gente
00:14:51
tinha um desafio que era de desvelar a
00:14:53
realidade isso ganha proporções muito
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maiores agora nesse momento histórico em
00:15:00
que a gente
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vive continuando então Eh as colocações
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do texto do do krochi desculpem Se Eu
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Não Estou pronunciando o o sobrenome
00:15:12
correto mas eu optei por por não
00:15:15
conhecer a pronúncia correta eu optei
00:15:17
pro por pronunciar exatamente como tá
00:15:20
escrito enfim
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eh então ele faz essas observações sobre
00:15:24
a ideologia vocês devem ter estudos aí
00:15:27
sobre ideologia que vão auxiliar vocês
00:15:30
né e a o entendimento da ideologia aqui
00:15:32
é um pouco diferente do do da ideologia
00:15:35
marxista Mas enfim continuemos
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eh ele vai falar de Freud né ele vai
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trazer Freud e pensar como as as
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religiões né Elas vão ser
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utilizadas como ilusões necessárias para
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placar o sentimento de desamparo e um
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sentimento de desamparo que é sempre
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infantil né Eh o sentimento de desamparo
00:16:02
vai acompanhar a gente a vida toda e E
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aí na Perspectiva do do Freud a gente
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usa as religiões
00:16:10
eh para pensar como se fosse um um um
00:16:14
grande pai ou um grande adulto que que
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olha e que vela por nós para eh tentar
00:16:22
tapar o buraco do nosso próprio
00:16:24
desamparo nesse sentido as explicações
00:16:27
do mundo de caráter totalitário né então
00:16:32
que envolvem regimes totalitários
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eh é a fé na ciência e na razão né Eh
00:16:43
mas essa ciência na razão instrumental
00:16:46
né E que vão ser utilizadas para iludir
00:16:50
o sofrimento real e aí faço mais um
00:16:53
parênteses o que a gente vê hoje em
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especial na extrema direita é o uso eh
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contínuo e irrefreável
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eh da religião
00:17:05
né
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Eh de Deus para justificar algumas
00:17:13
atrocidades isso não é novo na história
00:17:16
né E como é que vai se como é que essa
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teoria crítica vai entender então a
00:17:22
Sexualidade a Sexualidade ela é
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submetida às regras do consumo a
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Sexualidade é submetida às regras do
00:17:30
Capital a Sexualidade
00:17:33
submetida nessa aliança que vai ter
00:17:37
entre esse estado que é um estado que
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não Pair acima da da das classes né o
00:17:44
estado é um braço do capitalismo e que
00:17:46
vai ser utilizada a religião para isso
00:17:48
também então aí a gente vai ter sofoco
00:17:51
por exemplo eh da sexualidade feminina a
00:17:55
gente vai ter aí
00:17:57
eh a Raiz de Toda esses horrores que a
00:18:01
gente vê da heteronormatividade da
00:18:04
transom ETC né O que que a gente produz
00:18:08
o que que são produzidos nesses regimes
00:18:10
totalitários e no uso deste modo da
00:18:14
Ciência da religião da ideologia nesse
00:18:18
sentido uma realidade paralizada né O
00:18:21
que leva naturalização do homem e da
00:18:24
sociedade então o homem deixa a
00:18:26
sociedade Deixa de ser um produto social
00:18:29
histórico né a sociedade em si não tem
00:18:32
vida própria somos nós homens mulheres
00:18:35
seres humanos que damos movimento e uma
00:18:37
determinada direção social à sociedade
00:18:40
né Eh e Nós também somos sujeitos
00:18:44
históricos Então as desigualdades são
00:18:46
produzidas eh socialmente quando você
00:18:49
tem uma realidade que ela é paralisada e
00:18:51
que ela encontra explicações eh na razão
00:18:55
instrumental na religião voltadas a
00:18:58
entender o interesse do capitalismo O
00:19:01
que você tem então é a paralisação da
00:19:05
realidade A gente sabe que a realidade
00:19:07
tá em contínuo movimento né
00:19:10
Eh o que que eles vão trazer como
00:19:13
possibilidade de resistência em especial
00:19:16
neste texto né a autonomia da razão
00:19:19
então eles vão buscar lá
00:19:21
Encante não entrar no jogo do outro que
00:19:24
a gente faça um um recorrente esforço de
00:19:27
conseguir dis
00:19:29
fantasia e realidade e aí isso eh
00:19:34
eh bebido da fonte do froide né a
00:19:38
distinção de si e do outro a necessidade
00:19:42
da gente aguentar a contradição entre o
00:19:45
desejo e a realidade né e transcender a
00:19:49
imediatez dos Fatos e dar novamente o
00:19:51
movimento à realidade nisso se aproxima
00:19:54
um pouquinho a teoria marxiana e
00:19:56
marxista né que é eh eh não tomar as
00:20:00
coisas pelo imediato é é fazer um
00:20:03
movimento que no Marxismo a gente vai
00:20:05
chamar da essência da aparência à
00:20:08
essência né E aí se aproximar da
00:20:10
realidade enquanto realidade concreta e
00:20:13
é concreta porque é síntese de múltiplas
00:20:15
determinações e portanto dotada de
00:20:18
movimento de uma dinâmica de tensões de
00:20:20
conflitos e sobretudo de de contradições
00:20:24
tá Bora lá o segundo texto eh
00:20:29
notas para uma teoria crítica da
00:20:31
violência familiar contra crianças e
00:20:33
adolescentes da Maria Amélia Azevedo né
00:20:36
E aí aqui gente eu vou ficar bem no
00:20:38
texto mesmo para facilitar os estudos de
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vocês tá Inclusive eu trouxe alguns
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trexos que são do texto porque aí eu
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acho que vocês ganham tempo né com o
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slide ouvindo essa aula Ah princialmente
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nesse momento que o tempo é crucial para
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vocês Bom vamos lá que que que ela vai
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dizer ela vai versar sobre a necessidade
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da construção de uma teoria crítica da
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violência contra crianças e adolescentes
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tá E aí qual que é o elemento Central
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disso é uma teoria que não se não não
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foque né como a gente tinha até então na
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teoria estadunidense ou como era ainda
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no momento na teoria estadunidense
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eh médica e patológica o que que a gente
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prisa considerar nessa teoria crítica as
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relações sociais né Eh e pensar que o
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social é uma criação humana portanto um
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produto social histórico tá uma teoria
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crítica da violência familiar contra
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crianças e adolescente envolve um
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compromisso social com aqueles Nos quais
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estão inseridos em relações sociais
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eh que se incluem no Polo oprimido né
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então um compromisso social com as
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vítimas né e partindo do do pressuposto
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que toda a relação social é uma relação
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de poder que exerce sobre forma de
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dominação e subordinação quando a gente
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tá falando de violência né toda a
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violência é uma relação de poder
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né E aí ela vai falar de um caminho ela
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vai trazer um caminho paraa gente pensar
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eh e pra gente conseguir entender esse
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esse
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esse fenômeno da violência que ela vai
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falar que é um caminho que vai de um
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estado inicial a um estado final né
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então primeiro há uma falsa consciência
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da existência sem Liberdade
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né então uma falsa consciência
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autoimposta uma falsa
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ilusão uma coersão que se realiza pelo
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fato dos agentes não se darem conta que
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estão numa Auto imposição né então a
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gente pode pensar todo aquele movimento
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do ciclo da violência né o quanto aquela
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pessoa sofre com a situação de violência
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mas há uma tendência de relativizar de
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naturalizar e portanto
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um um lapso temporal até que ela se
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entenda numa situação de violência que é
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daí que ela vai falar de uma a falsa
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ilusão de uma falsa consciência né e um
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estado final onde eh os agentes estão
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livres Da falsa consciência né
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Eh Eles foram esclarecidos e livre da
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coersão autoimposta O que levaria a uma
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emancipação ou seja o momento em que as
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pessoas entendem que estão numa situação
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de violência né Elas se tornam com
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conscientes disso elas são esclarecidas
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a respeito do que significa estar nessa
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nessa situação né e elas conseguem se
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emancipar por si própria isso é um um um
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caminho aí que a Maria Amélia vai trazer
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né O que que ela tá propondo uma
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desmistificação de situações de coersão
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que se realiza pela ideologia enquanto
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falsificadora da da realidade né então a
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gente sabe que esse processo de tomar
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consciência da violência é um processo
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que envolve as vítimas é um processo que
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envolve algumas vezes quando possível o
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autor da violência mas é um um processo
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que também envolve a sociedade que
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envolve os profissionais que estão
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lidando com a
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violência é muito mais amplo né O que
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que a autora tá buscando ela tá buscando
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fundamentos para uma para construção de
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uma teoria crítica da infância da
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família da criminalidade e da violência
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né E aí vamos ver alguns pontos que ela
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traz em relação a isso
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bom ela vai trazer alguns elementos pra
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gente começar a a desvelar isso primeiro
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a violência né a violência ela se coloca
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em múltiplas manifestações e a violência
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doméstica é uma delas né ela vai falar
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da criminalidade então entender a
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transgressão reconhecida como crime pela
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maioria dos Estados modernos então
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reconhecer que a violência contra
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criança e adolescente reconhecer que a
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violência contra a mulher é um crime
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né Eh entender que a família é um Locus
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privilegiado né de perpetração da
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violência autora vai utilizar a palavra
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Ecologia né então a família Ecologia é
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privilegiada para que a violência ela se
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geste e ela se perpetue tá eh um outro
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elemento que ela traz a gente
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compreender a infância né a infância eh
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como aquele período da vida do ser
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humano adolescência como um período da
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vida do ser humano eh são construções
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modernas tá então a gente pensa a
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infância como aquele período e a criança
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como sujeito né o sujeito concreto o
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adolescente como sujeito concreto aqui
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acho que a gente pode atualizar para
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infâncias e adolescências pensando as
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inúmeras desigualdades territoriais aqui
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do nosso Estado do nosso município etc
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né mas o que que ela quer dizer infância
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e aqui eu acrescento adolescência como
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população alvo da violência né e por fim
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a sexual idade né a violência doméstica
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contra crianças e adolescentes se
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reveste do caráter sexual então ela tá
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trazendo alguns elementos aqui
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fundamentais pra gente pensar a teoria
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crítica violência criminalidade família
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infância e sexualidade Quais são as
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concepções que a gente tem dessas
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categorias né um outro ponto muito
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importante a distinção entre violência e
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agressão então a a a violência ela
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existe no domínio da Cultura a agressão
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existe no domínio da natureza Ou seja a
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violência é um produto social e
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histórico isso significa reconhecer que
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a violência social e histórica e
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portanto capaz de ser controlada e
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erradicada Caso haja vontade política
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para tal né a gente eh adquire uma
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sociabilidade na qual a gente aprende a
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dar respostas violentas então é possível
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também a gente aprender a dar respostas
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não violentas né Qual que é o contexto
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brasileiro o contexto brasileiro é um
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contexto marcado
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eh poras categorias classe raça etnia e
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gênero né então é preciso pensar nessa
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interseccionalidade e também as marcas
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do nosso país Um país
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colonizado um país
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eh fincado no patriarcado no racismo
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no escravismo né então isso é importante
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para que a gente possa particularizar a
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partir da realidade brasileira ela
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também vai trazer um outro aspecto que
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acho que é muito importante né paraa
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formação social e política do do Brasil
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que é a a o autoritarismo né o quanto a
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gente precisa desmistificar a violência
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por quê Porque o ela fazendo alusão ao
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Sérgio boar Holanda a ideia de que o
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brasileiro é um povo cordial e Pacífico
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na verdade isso em Raízes do Brasil
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signif é uma ironia né o brasileiro é
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capaz das maiores atrocidades e
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violências com sorriso no rosto né
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Eh é uma violência que se reveste de não
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violência é um autoritarismo né a gente
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uma autocracia daí as nossas
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dificuldades com o sistema democrático
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né Esses são alguns aspectos e a teoria
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eh da criminalidade então Eh ela vai
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propor aí uma abordagem construtivista
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do crime ou seja distanciamento de
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explicações
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naturais biológicas né para situar O
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Fenômeno na no contexto das relações
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sociais de classe gênero raça e etnia
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assim como elementos políticos com
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culturais e econômicos que são
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extremamente importantes pra gente
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conseguir compreender né
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Eh a necessidade de aprofundar e
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conhecer as raízes do problema né eh e
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aí eu dou como sugestão eh e uma
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atualização dessa leitura é a gente
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pensar o encarceramento em massa no
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Brasil
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eh os autores de violência no
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Brasil eh quase sempre são destinados a
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ao encarceramento e eu entendo que é um
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crime e que tem que ser
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responsabilizado mas a gente sabe as
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condições do encarceramento no Brasil a
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gente sabe quem o público que é
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destinado ao encarceramento no Brasil e
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sobretudo o que a gente faz com esses
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autores de violência né Há um trabalho
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não então a necessidade de desenvolver
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política pública de
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responsabilização dos autores de
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violência e não só um encarceramento mas
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a possibilidade de reflexão a respeito
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do que foi feito né Para que se crie uma
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nova cultura mesmo e aí a gente pode
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citar como exemplo os grupos eh
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reflexivos com autores de violência a
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gente pode citar os grupos que discutem
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masculinidades como essenciais
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pra gente pensar e enfrentar de fato a
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violência contra criança e o adolescente
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a violência contra mulher num âmbito
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para além do encarceramento que não me
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parece que tem sido muito
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eh tem alcançado resultados
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interessantes
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eh desde que eu me conheço por gente por
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exemplo né
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Eh E aí gente eu
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vou fazer o seguinte eu vou encerrar
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esse bloco agora e a gente começa o
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segundo bloco no discutindo a teoria
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crítica da família tá que ainda tá na
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parte um do mas eu vou fazer aqui uma
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pausa e a gente Encontro vocês já já pra
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gente iniciar o segundo bloco muito
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obrigada e até já
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já m