O que é racismo estrutural

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https://www.youtube.com/watch?v=fkTfhLbR58A

Summary

TLDRO vídeo discute o racismo estrutural no Brasil, conceituado por Silvio Almeida. Define três camadas de racismo: individual, institucional e estrutural. O racismo estrutural é apresentado como um fenômeno que permeia a organização social, econômica e as relações de poder. O vídeo contextualiza o histórico da escravidão, as condições dos negros pós-abolição e como a legislação e práticas sociais perpetuaram desigualdades. Almeida argumenta que o racismo é não apenas estrutural, mas também estruturante, moldando comportamentos e instituições na sociedade.

Takeaways

  • 📊 Mais queixas de discriminação em 2002 do que em 2021.
  • 📚 Racismo é um processo, não apenas um ato individual.
  • 👨‍⚖️ Silvio Almeida explica três camadas de racismo.
  • 🏛️ Racismo institucional vem de órgãos e instituições.
  • ⚖️ Legislação marginaliza a população negra desde o Império.
  • 💼 Mulheres negras enfrentam desigualdade salarial.
  • 🗳️ Direitos políticos foram limitados para negros após a abolição.
  • 🏘️ A estrutura urbana favorece a perpetuação das desigualdades.
  • 🚧 Racismo torna algumas posições sociais intransponíveis para negros.
  • 🔄 Racismo estrutural afeta também a percepção de brancos na sociedade.

Timeline

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    O racismo é uma questão estrutural na sociedade brasileira, com um aumento nas queixas de discriminação racial. O advogado Silvio Almeida explica que o racismo não se limita a atos individuais, mas é um processo que torna grupos racialmente identificados subalternos nas relações sociais. Almeida define racismo em três camadas: individual, institucional e estrutural, onde o último dá base para as práticas discriminatórias. A história do Brasil, marcada pela escravidão e pela falta de direitos dos negros após a abolição, contribuiu para a desigualdade racial presente hoje. A marginalização da população negra foi reforçada por leis e práticas que perpetuaram a subalternidade. O racismo estrutural se reflete também na economia, afetando desproporcionalmente mulheres negras, que enfrentam desigualdade salarial. A presença limitada de negros em posições de liderança e na sociedade em geral reforça a norma racial do branco como padrão, mesmo em uma população majoritariamente negra ou parda. Almeida conclui que o racismo é tanto estrutural quanto estruturante, moldando comportamentos e relações sociais.

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Video Q&A

  • O que é racismo estrutural?

    Racismo estrutural é um processo em que as estruturas sociais e institucionais reproduzem a subalternidade de determinados grupos racialmente identificados.

  • Quais são as camadas do racismo segundo Silvio Almeida?

    Silvio Almeida define o racismo em três camadas: individual, institucional e estrutural.

  • Como a escravidão no Brasil influenciou o racismo estrutural?

    Após a abolição, os negros libertos não tiveram acesso à terra ou direitos, perpetuando a marginalização e desigualdade.

  • Quais são os dados que mostram a desigualdade salarial entre brancos e negros?

    Dados de 2016 do IPEA indicam que mulheres brancas ganham 70% mais que mulheres negras.

  • Qual o impacto do racismo estrutural na economia?

    Uma alta carga tributária afeta desproporcionalmente mulheres negras, limitando seu poder de compra e oportunidades.

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    Somente nos primeiros quatro meses de 2002, o Estado de São Paulo registrou
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    mais queixas de discriminação racial do que em todo o ano de 2021.
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    Mas racismo não é apenas uma atitude individual,
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    mas também uma parte importante de como a sociedade brasileira se estrutura.
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    Mas, afinal, o que é racismo estrutural?
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    Nós explicamos para você.
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    De acordo com o advogado, jurista e professor
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    Silvio Almeida, todo o racismo é estrutural.
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    Segundo ele, o racismo não é apenas um ato, mas um processo
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    em que as condições de organização da sociedade
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    reproduzem a subalternidade de determinados grupos
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    que são identificados racialmente.
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    Almeida é autor de um livro de nome Racismo Estrutural,
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    que define esse fenômeno em três camadas: a individual, que se baseia
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    num ato de discriminação ou de violência pontual ou constante,
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    mas que funciona de pessoa para pessoa.
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    Existe também o institucional, que acontece com a prática
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    discriminatória
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    vem de uma instituição ou órgão público ou privado.
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    E, por fim,
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    o racismo estrutural é que dá base para a existência de todas as práticas,
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    já que o racismo também estrutura todas as instituições.
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    O professor, em seu livro,
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    mostra que o racismo estrutural acontece quando ele constitui as relações sociais
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    em um padrão de normalidade, se tornando uma forma de racionalidade.
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    Ou seja, a estrutura das relações sociais reproduz o racismo de forma natural.
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    Mas, para entender melhor como a sociedade brasileira se formou
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    e como o racismo sempre esteve presente, precisamos dar um passo atrás.
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    O Brasil viveu a escravidão entre o século XVI e XIX
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    e foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão.
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    Os negros libertos sem indenização ou direitos, não tiveram acesso à terra
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    e muitos permaneceram nas fazendas trabalhando de forma informal.
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    A Proclamação da República aconteceu um ano após a abolição da escravidão
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    e uma nova sociedade se forma no Brasil, tendo a população negra
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    ainda como subalterna, sem direito a voto e com condições de vida
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    completamente diferentes
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    das vividas pela sociedade branca que já dominava o país na época.
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    Medidas legislativas criadas ainda no império e no início da República,
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    como a lei da vadiagem, foram utilizadas para marginalizar a população negra.
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    E esse é um dos motivos
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    que faz Almeida incluir o direito como base do racismo estrutural.
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    Com isso, foram acentuados os processos e relações sociais
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    que mantêm a alta desigualdade entre negros e brancos
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    Forte ainda hoje no país. Eles passam pela menor oferta de empregos,
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    pelo voto tardio e se acentuou na construção dos centros urbanos
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    com suas periferias e pela formação das favelas nas grandes cidades.
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    Mas voltando ao tema central.
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    De acordo com Silvio Almeida, o racismo estrutural se mostra presente
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    não apenas nas relações sociais, mas também na economia.
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    Por exemplo, uma alta carga tributária no país
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    contribui para a manutenção do racismo estrutural do Brasil, porque,
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    com mais juros, quem terá menos poder de compra são, por exemplo,
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    as mulheres negras, que já recebem menos que mulheres brancas e homens brancos.
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    Assim, a estrutura econômica segue reproduzindo um modelo de sociedade
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    em que a mulher preta terá menos chances de ascensão social.
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    Dados do IPEA de 2016
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    mostram que as mulheres brancas recebem 70% a mais do que as mulheres negras.
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    O racismo também se manifesta quando torna lugares ou posições sociais
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    intransponíveis para negros,
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    seja em cargos de liderança de grandes empresas, seja em situações corriqueiras,
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    como a presença em restaurantes, ou de crianças negras
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    nas principais escolas particulares.
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    e a estrutura racista também incide sobre o branco,
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    já que uma consequência típica do racismo estrutural
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    é permitir que o branco não tenha que pensar na sua cor pela ótica racial,
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    já que o branco se torna o padrão. Mesmo em uma sociedade
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    que, de acordo com o Censo 2020, 54% da população brasileira seja negra ou parda.
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    Por fim, Silva Almeida defende que o racismo é estrutural,
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    mas também estruturante na sociedade, já que ele é o alicerce que determina
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    o comportamento individual de instituições e das relações sociais.
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    Eu espero que você tenha entendido o que é racismo estrutural e como ele
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    afeta a nossa sociedade. E para a gente levar esse debate para mais pessoas,
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    compartilhe esse conteúdo com seus amigos e familiares.
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    Eu sou Dante Batista e fico por aqui. Até a próxima!
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